Pensei em te ligar, em ouvir sua voz, nem que seja a última vez que a escute. Pensei em te dizer coisas que talvez me arrependa depois, coisas que me deixam surtando, com a cabeça flutuando fora da superfície, tão longe que nem um telescópio consegue observá-la. Pensei em arrancar-me de mim mesma e correr em volta do meu corpo, como se não fosse eu, como se não fosse meu rosto, minha boca, meus olhos. Pensei em amassar com um martelo qualquer pensamento descontrolado e rotineiro, antes que fosse tarde demais. Pensei em pular de um paraquedas em direção a minha cama. Pensei em correr para sua casa e bater na sua porta com um buquê de flores pedindo arrego, como se fossemos duas crianças brincando de pique-pega, ou apenas duas crianças com o coração partido. Pensei que nada fizesse sentido e descobri que o sentido é o que não faz sentido. Pensei, pensei, pensei... Foi o máximo que eu consegui fazer.
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