terça-feira, 28 de agosto de 2012

Só mais um

Esquecer é impossível, amor fantástico e invisível. Vou mantê-lo protegido em um armário, com caixas de memórias e sapatos. Lembrarei de como me faz sentir, como se tivesse sentido rir. Vou brigar com as palavras irritantes, em um contraste de luz e sombra, entre sons inventados com combinações que não se encaixam. Vou me divertir com pouco, porque resta muito pouco entre nós. Agora me diz se você existe em carne e osso, pois te acariciar nunca foi possível. O que você quer levar? Mas leva do meu armário, porque do resto você já tem.
Eu não sou indefesa.
Eu não preciso dos seus braços para sentir-me em casa.
Eu não necessito da sua companhia para não sentir-me sozinha.
Estou bem comigo mesma.
Mas não é o suficiente, eu quero mais.

Delícias violentas e gritos desesperados.
Emoções brutais ou qualquer coisa.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Quanto tempo vou ter que escrever até que essa ferida pare de arder?
Amenizo a minha dor com um pouco de paciência.
Fiz amigos meus companheiros de cela,
A Melancolia,
As expectativas não atendidas,
O gelo,
E o pior de tudo: A Cruel Realidade
Que sussurra em meu ouvido
"Você está desperdiçando seu tempo."

domingo, 26 de agosto de 2012

Desnecessário

Na minha cabeça
Sempre houve uma sala vazia para você
Quantas vezes eu lhe trouxe algumas flores
Quantas vezes já foi defendida por monstros

Agora eu moro lá
E os monstros vieram comigo

sábado, 18 de agosto de 2012

...

Pensei em te ligar, em ouvir sua voz, nem que seja a última vez que a escute. Pensei em te dizer coisas que talvez me arrependa depois, coisas que me deixam surtando, com a cabeça flutuando fora da superfície, tão longe que nem um telescópio consegue observá-la. Pensei em arrancar-me de mim mesma e correr em volta do meu corpo, como se não fosse eu, como se não fosse meu rosto, minha boca, meus olhos. Pensei em amassar com um martelo qualquer pensamento descontrolado e rotineiro, antes que fosse tarde demais. Pensei em pular de um paraquedas em direção a minha cama. Pensei em correr para sua casa e bater na sua porta com um buquê de flores pedindo arrego, como se fossemos duas crianças brincando de pique-pega, ou apenas duas crianças com o coração partido. Pensei que nada fizesse sentido e descobri que o sentido é o que não faz sentido. Pensei, pensei, pensei... Foi o máximo que eu consegui fazer.