Cresci em um mundo de falsos sorrisos e falsas esperanças, voltando de uma guerra entre palhaços do mesmo circo que se chocam para ter o "posto de honra" nessa sociedade que cai aos pedaços.
Tento viver acreditando que isso vai mudar e tomar forma, mas eu sei que não vai.
Agora nós nos tornamos escravos do hábito, uns bonecos de marionetes egoísta e mesquinhos.
Cuspimos uns na cara dos outros e no minuto seguinte acariciamos o mesmo ponto que cuspimos.
Somos um monte de clones prontos a nos matar por um mesmo pedaço de pão e não vamos mudar porque, no final das contas, tudo isso nos dá uma sensação de extremo controle.
Quem sabe só temos medo de mudanças.
segunda-feira, 29 de julho de 2013
sexta-feira, 22 de março de 2013
Ansiedade
Perdida na imensidão das palavras, sem saber onde me esconder, mesmo sabendo que existem diversos lugares dispostos a me acolher, porém não é o suficiente. A ansiedade anda perseguindo-me, atrás de mim, ou talvez ao meu lado, soltando alguns bocejos tão fortes que geram arrepios em minha nuca. Às vezes a sinto tão perto que meu estômago dá reviravoltas e então tenho vontade de vomitar, colocar para fora o desnecessário. Nem a fumaça do meu cigarro consegue amenizá-la. Todos os maços existentes não seriam capazes de afastá-lá.
Decidi tentar fugir, correr em direção ao canto escuro que andei observando há anos, aquele cantinho tão esquecido quanto o porão de uma casa, tão inútil quanto um parque de diversões em dias de chuva. E então percebi que ainda não era o suficiente, me esconder ou tentar fugir. Permaneci parada, encarei-a de frente, como quem não quer nada. Não obtive respostas, ela continuou ali, respirando, bocejando, enlouquecendo-me. Ansiedade disfarçada de insônia, ou vice-versa. Por qual razão não vai embora de vez? Teu "fetiche" é deixar-me sem sono, sente prazer em analisar meus inúmeros movimentos na cama, minha dificuldade em fechar os olhos, em esquecer, por alguns segundos, os pensamentos atormentados que me rodeiam em uma noite escura e vazia de uma terça-feira qualquer. Talvez seja somente o seu trabalho: matar aos poucos os meus sonhos (e pesadelos).
sexta-feira, 1 de março de 2013
Seria só mais um dia...
Seria só mais um dia se não fosse a chuva do outro lado da casa que não parava de cair, as trovoadas turbulentas que ecoavam em meus ouvidos aumentando ao triplo o barulho que emitiam. Seria só mais um dia se não fosse o sufocante cheiro de mofo impregnado no carpete da sala de estar. Seria só mais um dia se não fosse o telefone que não parava de tocar às quatro e quarenta e sete da manhã de um dia entediante. Seria só mais um dia se não fosse pela porta entreaberta que causava uma barulheira cada vez que o vento batia na direção contrária da fechadura. Seria só mais um dia se não fosse pela voz em minha cabeça que sussurrava uma palavra de um vocabulário desconhecido. Seria só mais um dia se não fosse pelos olhos quase castanhos que me encaravam através do vidro quebrado da janela da cozinha. Seria só mais um dia se não fosse pela ansiedade em forma de gente que criava obstáculos para qualquer decisão que eu tomasse. Seria só mais um dia, porém não era, por motivos irrelevantes, por questões insignificantes... Era só mais um dia.
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