sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Acontecimento Corriqueiro

A loucura mais lúcida que recordo-me de ter vivido foi na última sexta-feira, de um mês qualquer, de um ano qualquer. Entre uma até quatro da manhã, madrugada inquietante, repleta de pensamentos descontrolados e importunos, dopados pelo excesso de álcool consumidos ao decorrer de algumas conversas banais. Noite fracassada e desnecessária. 
Entrei pela porta dos fundos, como de costume. Esbocei um leve sorriso irônico, resultado da desilusão e arrependimento, todo ânimo foi deixado na mesa do bar, junto com as doses de tequilas e a falsa socialização desses seres humanos. Sobre a pia da cozinha havia um copo d'água que transbordava litros e mais litros de solidão, descaso e desapego. Lembro-me de ter bebido por completo aquele líquido incolor, tão doce e amargo, sufocava os meus pulmões e entristecia-me com cada gole que atravessava minha garganta.
Passei pela porta do meu quarto, mais parecido com um aglomerado de roupas e toalhas molhadas, senti vontade de jogar tudo para o alto, mas me dei conta que já tinha feito isso fazia algum tempo, porém não com as toalhas. Deitei sobre aquela montanha gelada e confortável, olhei para o lado e deparei-me com um pedaço de algodão (disfarçado de cachorro) que observava qualquer piscar de olhos que eu cometia. Ignorei-o. Olhei para o teto e percebi que não havia como visualizar o céu debaixo de tanta telha e cimento. Fechei os olhos e imaginei um mar da cor do café, com algumas pintinhas douradas, representando o desespero daquela imensidão de desgaste. 
Senti que estava adormecendo, meus olhos estavam tão pesados quanto uma âncora de um navio, minha cabeça girava mais que um  carrossel e meu corpo estava suando frio. 
Fui despertada por uma voz rígida e suave, prefiro acreditar que era o meu subconsciente tentando enlouquecer-me, confesso que estava funcionando. "Respira, respira, respira, respira...", repetia diversas e inúmeras vezes, entretanto tudo que conseguia escutar era "pira, pira...". Por quê? 
Eu estava, literalmente, res(pirando)... E então adormeci. 

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